domingo, 3 de março de 2013

Cascais - abrigo de Colon

Decorreu esta tarde o primeiro Colóquio do ciclo de conferências para assinalar o 520º aniversário da viagem de regresso, sob o título "Novo Mundo e Mundo Novo -  Cristóvão Colon em Portugal - Março de 1493"
 Não podia ter sido mais apropriado o local escolhido pela Câmara Municipal de Cascais para acolher esta sessão - O Museu do Mar Rei D. Carlos, cuja plateia se encheu com cerca de 100 interessados no tema.
Sobre a mesa, uma pequena réplica (pertencente ao Centro Cristóvão Colon, na vila de Cuba) da caravela Niña. Caravela na qual Colon chegou a Cascais na sua viagem de regresso da descoberta.



A Câmara Municipal de Cascais esteve representada pela Srª Directora de Divisão dos Patrimónios Culturais, Drª Paula Cabral, que abriu a sessão dando as boas-vindas às entidades organizadoras e ao imenso público, com quase 110 pessoas que encheram a ampla sala
Dirigiu a sessão, com grande brilhantismo, o Sr. Prof. Doutor Carlos Margaça Veiga, membro da Direcção da Academia Portuguesa da História
O Comandante José Manuel Malhão Pereira, da Academia de Marinha, apresentando a sua comunicação (auxiliado pelo Ten. Coronel Brandão Ferreira comandando as imagens)


O Comandante Malhão Pereira começou por mostrar como podia uma embarcação do século XV navegar seguindo os diferentes rumos relativamente a qualquer direcção do vento.
De seguida abordou a primeira viagem de Cristóvão Colon, mostrando que tinha sido realizada seguindo o regime geral dos ventos no Atlântico, os quais têm, grosso modo, uma rotação no sentido dos ponteiros do relógio em torno da zona do anticiclone dos Açores. Assim, o percurso entre a Península e as Antilhas consegue ventos favoráveis partindo das Canárias ou de Cabo Verde, ao passo que a viagem de regresso deve realizar-se por um percurso mais a norte, passando pelos Açores.
Os navegadores portugueses já há muito que percorriam grandes distâncias em alto mar, sem avistar terra, no regresso de Cabo Verde ou da Mina. Aliás, as distâncias percorridas nestas voltas são bem maiores que a distância percorrida por Cristóvão Colon entre as Canárias e as Antilhas. Das Canárias às Antilhas são cerca de 3000 milhas, ao passo que a volta da Mina, até aos Açores, são 4800 milhas (sendo cerca de 4000 milhas a distância da volta de Cabo Verde)
É portanto totalmente falacioso afirmar que os portugueses apenas navegavam à vista de terra.

Cristóvão Colon conhecia muito bem o regime de ventos no Atlântico, fruto de anteriores viagens nos navios portugueses dos descobrimentos, e os seus vastíssimos conhecimentos de navegação foram adquiridos com os portugueses.
Cristóvão Colon era um navegador de formação portuguesa.





O Dr. Severino Rodrigues, da Câmara Municipal de Cascais, ofereceu à assistência uma magnífica reconstituição vídeo da aproximação de Cristóvão Colon a Cascais, com o avistamento do Cabo da Roca e depois de toda a linha de costa (expurgada de construções) até chegar à zona da praia, onde fundeou.

Cascais era, na época, um aglomerado de habitações protegido pelas muralhas do castelo e a entrada era defendida pela Torre de Santo António (provavelmente ainda não concluída), que fora mandada erguer por D. João II em 1488. Desta Torre de Santo António, que foi depois integrada na Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, a qual, por sua vez, foi depois integrada na Fortaleza da Cidadela, podem ainda ver-se alguns vestígios, sendo o principal a parede exterior virada ao mar, visível a partir da nova marina.



O Dr. Severino Rodrigues, profundo conhecedor dos trabalhos arqueológicos desenvolvidos em Cascais, mostrou ainda como vivia a população na época.





O Engº Carlos Calado apresentou um estudo matemático sobre a viagem de Cristóvão Colon entre a Ilha de Santa Maria, nos Açores e Cascais, integralmente baseado nos registos do Diário da Viagem. 
Transferindo para o mapa as distâncias percorridas e respectivos rumos seguidos, confirmou que Cristóvão Colon sabia exactamente, com um erro ínfimo, a posição em que se encontrava no dia 27 de Fevereiro, quando escreveu que estava a 125 léguas do Cabo de São Vicente, 108 léguas de Santa Maria e 80 léguas da ilha da Madeira.
Depois deste dia, a rota seguida por Colon deixou de ser puramente para leste, como seria natural se pretendesse seguir para Palos (Huelva) de onde tinha partido, inflectindo para Leste-Quarta de Nordeste.
Pelo rumo seguido e pelas distâncias percorridas, mostrou, matematicamente, que Cristóvão Colon já se encontrava na zona de Lisboa quando aconteceu a tempestade, no dia 2 de Março.
A conclusão óbvia é que Cristóvão Colon veio para Lisboa porque quis e simultaneamente mentia aos Reis de Castela e Aragão escrevendo-lhes que estava nas Canárias em 15 de Fevereiro e já estava no mar de Castela quando uma tempestade o arrastou para Lisboa.


No período de debate, houve várias perguntas da numerosa assistência.
Sobre a hipótese de Colon não ter fundeado propriamente em Cascais mas em algum outro lugar próximo, o Engº Carlos Calado destacou que o Diário de Colon menciona expressamente Cascais e que, provavelmente, não haveria qualquer outro povoado nas redondezas, no que foi corroborado pelo Dr. Severino Rodrigues, confirmando não ser conhecida a existência de qualquer outro povoado e pelo Comandante Malhão Pereira que confirmou ser a baía de Cascais o único local abrigado que permitia a Colon fundear aqui a sua caravela. Entre Cascais e Lisboa só existia depois a zona do Restelo. Colon não seguiu directamente para Lisboa porque é necessário esperar em Cascais pelas condições favoráveis para seguir até Lisboa. Colon conhecia muito bem essa situação, fruto da sua grande experiência de navegação aqui adquirida.
Sobre o facto de Colon aqui ter chegado, destaque para uma nova explicação do Comandante Malhão Pereira, que mostrou que Cristóvão Colon, saindo de Santa Maria, poderia, com idêntica facilidade, optar entre navegar directamente para Palos ou dirigir-se para Lisboa como fez. Veio para Lisboa por opção.

Desta forma ficou também nauticamente comprovado que Cristóvão Colon não veio para Lisboa devido à tempestade, mas sim porque quis vir para Lisboa.

E este é um facto que pode mudar toda a interpretação da História.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Colóquio em Cascais



Ciclo "Novo Mundo e Mundo Novo" - cartaz

«NOVO MUNDO E MUNDO NOVO»
CRISTÓVÃO COLON EM PORTUGAL
MARÇO DE 1493

520º aniversário da viagem de regresso do descobrimento oficial da América.
Ciclo de conferências, visitas e exposições  - 3 a 14 de Março de 2013

3/3: CASCAIS, Museu do Mar Rei D. Carlos, 16.00h
        «As viagens de Cristóvão Colon e a navegação à vela no Atlântico» - Comandante José Manuel Malhão Pereira (Academia de Marinha)
        «Que vê Cristóvão Colon quando chega a Cascais» - Dr. Severino Rodrigues (Câmara Municipal de Cascais)
        «De Santa Maria (Açores) a Cascais – a tempestade e a matemática» - Engº Carlos Calado (Pres. Associação Cristóvão Colon)
        Direcção da sessão: Prof. Doutor Carlos Margaça Veiga (Academia Portuguesa da História)

 7/3: LISBOA, Palácio da Independência (Largo S. Domingos), 17.30h
        «Cristóvão Colombo e a Madeira: antecedentes e consequências da primeira viagem às Antilhas em 1492» - Coronel Prof. Rui Carita (Comissão Portuguesa de História Militar)
        «Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és – a propósito dos encontros de Colon» - Dr. João Abel da Fonseca (Academia Portuguesa da História)
        Direcção da sessão: General Alexandre de Sousa Pinto (Pres. Comissão Portuguesa de História Militar)
 
9/3: VALE DO PARAÍSO (Azambuja), Casa ‘Colombo’, 15.30h
        «O encontro entre D. João II e Cristóvão Colon» - Profª Doutora Manuela Mendonça (Pres. Academia Portuguesa da História)
        Direcção da sessão: Engº Carlos Calado (Pres. Associação Cristóvão Colon)
 Visita guiada (Dr. José Machado Pereira – Câmara Municipal de Azambuja) ao Centro de interpretação da Casa ‘Colombo’ e à Igreja de Nossa Senhora do Paraíso, das Comendadeiras de Santos, após a Conferência .

10/3: VILA FRANCA DE XIRA, Auditório da Junta de Freguesia V.F.Xira, 15.30h
        «As razões da vinda de Cristóvão Colon a Lisboa e suas implicações diplomáticas» - Prof. Doutor Humberto Mendes de Oliveira (Comissão Portuguesa de História Militar)
        «A visita de Cristóvão Colon à Rainha Dona Leonor» - Dr. Carlos Fontes (convidado pela Associação Cristóvão Colon)
        Direcção da sessão: Prof. Doutor Carlos Margaça Veiga (Academia Portuguesa da História)
11.00h: Visita guiada (Padre Henrique Pinto Rema – Academia Portuguesa da História) ao Convento de Santo António da Castanheira, complementada na sessão da tarde.
(livre, sujeita a inscrição prévia até 7/3 para o e-mail <assoc.cristovaocolon@gmail.com>)

 14/3: LISBOA, Academia de Marinha (Rua do Arsenal), 17.30h
        «As viagens de Colombo e a náutica portuguesa de Quinhentos» - Comandante Luís Jorge Semedo de Matos (Academia de Marinha)
        «Relação de Cristóvão Colombo com D. João II» - Prof. Doutor José Manuel Garcia (Academia de Marinha)
        Encerramento do ciclo de conferências
        Direcção da sessão: Almirante Nuno Vieira Matias (Pres. Academia de Marinha)
Exposição bibliográfica “Colon na Academia de Marinha”

Organização: Academia Portuguesa da História / Academia de Marinha / Comissão Portuguesa de História Militar / Associação Cristóvão Colon

Apoio: Câmara Municipal de Cascais / Município de Azambuja / Junta de Freguesia de Vale do Paraíso / Município de Vila Franca de Xira / Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira
 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Cristóvão Colon - 520º aniversário da viagem de regresso



«NOVO MUNDO E MUNDO NOVO»

CRISTÓVÃO COLON EM PORTUGAL

MARÇO DE 1493


520º aniversário da viagem de regresso do descobrimento oficial da América.

Ciclo de conferências, visitas e exposições promovido pelas ACADEMIA PORTUGUESA DA HISTÓRIA, ACADEMIA DE MARINHA, COMISSÃO PORTUGUESA DE HISTÓRIA MILITAR e ASSOCIAÇÃO CRISTÓVÃO COLON.

3 a 14 de Março de 2013

CASCAIS, Museu do Mar Rei D. Carlos, dia 3 às 16.00h

- «As viagens de Cristóvão Colon e a navegação à vela no Atlântico»
Comandante Malhão Pereira (Academia de Marinha)

- «Que vê Colon quando chega a Cascais»
Dr. Severino Rodrigues (CM-Cascais)

- «De Santa Maria (Açores) a Cascais – a tempestade e a matemática»
Engº Carlos Calado (Associação Cristóvão Colon)

Direcção do Colóquio e debate:
Prof. Dr. Carlos Margaça Veiga (Academia Portuguesa da História)


Apoio: Museu do Mar Rei D. Carlos / Câmara Municipal de Cascais

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Dia 7: LISBOA
Palácio da Independência (Largo S. Domingos), Colóquio - 17.30h


Dia 9: VALE DO PARAÍSO (Azambuja), 
Casa ‘Colombo’, Conferência - 15.30h
Exposição na Casa ‘Colombo’ desde as 14.00h
Visita guiada à Igreja de Nossa Senhora do Paraíso após a conferência

Dia 10: VILA FRANCA DE XIRA, 
Auditório da Junta de Freguesia V.F.Xira, Colóquio - 15.30h
Visita guiada ao Convento de Santo António da Castanheira, 11.00h

Dia 14: LISBOA
Academia de Marinha (Rua do Arsenal), Colóquio - 17.30h
 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A Conferência em Mafra







Decorreu no passado dia 24, na Casa da Cultura D. Pedro V, em Mafra, uma Conferência dedicada à apaixonante temática do navegador a quem o mundo atribui a descoberta da América.
Na Conferência, organizada pela Associação Cristóvão Colon (ACC) com o apoio e colaboração da Câmara Municipal de Mafra, foram oradores a museóloga e investigadora Julieta Marques (ACC) e o convidado Dr. Manuel Gandra.
Perante uma interessada assistência que preencheu quase totalmente os cerca de sessenta lugares do auditório, o Presidente da ACC – Engº Carlos Calado abriu a sessão com uma breve exposição sobre os objectivos, actividades e novos projectos da Associação, uma introdução à temática da conferência e apresentação dos oradores.

Julieta Marques, um dos Membros Fundadores da ACC, apresentou o resultado dos seus estudos sobre a pintura no tecto da Sala das Descobertas ou dos Heróis Portugueses do Palácio de Mafra, inexplicavelmente ignorada e incompletamente descrita, mas onde figura Cristóvão Colon ao lado dos grandes heróis portugueses dos descobrimentos.
Foi anunciada a apresentação para Dezembro de um novo livro de Julieta Marques, intitulado “Cristóvão Colom na encruzilhada de reinos e mares”, tendo a autora disponibilizado antecipadamente e autografado vários exemplares.

O Dr. Manuel Gandra, licenciado em filosofia, professor e grande estudioso do tema, levou ao público uma interessante abordagem ao intrigante “Livro das Profecias” escrito pelo próprio Cristóvão Colon e que nos ajuda a compreender o carácter místico e religioso do navegador.
O texto da exposição do Dr. Manuel Gandra será nos próximos dias disponibilizado em opúsculo a publicar pelo autor, que também anunciou ter em preparação uma edição comentada e anotada da versão original do Livro das Profecias. 

A Conferência terminou com dois períodos de debate, primeiro sobre a pintura da Sala das Descobertas e depois sobre a exposição do Dr. Manuel Gandra, o qual, devido ao entusiasmo da assistência e do próprio orador se prolongou bem para além do horário previsto.





domingo, 4 de novembro de 2012

Conferência em Mafra

A ACC convida todos os interessados na temática Cristóvão Colon a assistir à próxima Conferência que terá lugar no dia 24/11/2012 em Mafra

Julieta Marques, museóloga e Membro Fundador da ACC fará uma palestra sobre a pintura no tecto da Sala dos Heróis portugueses do Palácio de Mafra, na qual está representado Colon.
O Dr. Manuel Gandra, orador convidado,  fará uma palestra sobre o Livro das Profecias, escrito pelo próprio Cristóvão Colon.