quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

As quatro viagens de Colon ao Novo Mundo


A PRIMEIRA VIAGEM

(1492-1493)

 
Cristóvão Colon, que se encontrava em Espanha desde 1485, inicia a sua primeira viagem em 3 de Agosto de 1492 partindo de Palos de la Frontera, na Província de Huelva.

 

A frota que comandava, constituída pela nau Santa Maria e pelas caravelas Niña e Pinta, rumou a sudoeste tendo aportado na Grande Canária a 12 de Agosto. Reiniciando a viagem, com rumo a oeste, chegou no dia 12 de Outubro de 1492 a um pequeno ilhéu das Antilhas ao qual deu o nome de São Salvador.

 


Saltando em terra, Cristóvão Colon, Martin Pinzón e seu irmão Vicente, são recebidos por grande quantidade de indígenas, completamente nus e todos pintados de diferentes cores. Ajoelham, beijam a terra, com lágrimas, e agradecem a Deus a recompensa.

Pouco depois e na presença do notário Rodrigo de Escobedo o navegador toma posse solene da ilha, em nome dos Reis de Castela. De seguida e como Almirante e Vice-Rei recebe juramento de obediência dos seus companheiros de viagem.

Percorre depois várias ilhas que baptiza com os nomes de Stª Maria da Conceição, Fernandina, Isabela, Cuba e Hispaniola e dá a alguns lugares nomes bem significativos como S. Vicente, Vale do Paraíso, Nossa Senhora do Ó, etc.



Na noite de Natal a Santa Maria teria, segundo o que está registado no Diário, encalhado nuns baixios. Colon mandou trazê-la para a praia e trespassá-la com um tiro de canhão. O seu madeirame serviu então como fortificação paliçada, onde deixou ficar vários fidalgos castelhanos.

Iniciado o regresso, encontra-se a 10 de Fevereiro de 1493 por alturas dos Açores onde faz uma paragem. Quando, afastando-se do seu caminho, se aproximou de Lisboa, teria sido fustigado por uma tempestade e a 4 de Março avistou a Serra de Sintra, entrando no estuário do Tejo, nessa mesma noite, após umas horas fundeado em Cascais.
Anunciada a sua chegada a El-Rei D. João II, recebe deste o convite para com ele se encontrar em Vale do Paraíso (Azambuja), o que acontece em 9 de Março e se prolonga por três dias. A 11 de Março, e a convite da Rainha Dª. Leonor, que lhe pede encarecidamente que não parta sem a visitar, encontra-a no Mosteiro de Stº António da Castanheira (Vila Franca), para lhe beijar as mãos.
 
Finalmente a 13 levanta ferro e antes de amanhecer no dia 14 passa o Cabo de S. Vicente. Horas depois está frente a Faro, atingindo o porto de Palos pelo meio-dia do dia 15.

 Referências: “Portrait historique de Cristophe Colomb”, de Marianne Mahn-Lot

 Texto de João Garcia – ACC

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

«Nosso Especial Amigo», Edição Pública nº1

NOSSO ESPECIAL AMIGO

EDITORIAL

 
Com data do passado mês de Outubro apresentámos a primeira edição do Boletim da Associação Cristóvão Colon destinada à divulgação pública, seguindo a mesma numeração da nossa Edição interna, no caso o nº 58.

Tal como indicámos, a “Edição Pública” não terá a periodicidade mensal da versão interna, sendo difundida sempre que oportuno, incluindo não só notícias da ACC e outras ligadas a Cristóvão Colon, como também novos artigos de opinião ou ainda retomando artigos já publicados anteriormente no Boletim.

Seguindo um procedimento habitual nestes casos, julgamos ser apropriado considerar que aquela primeira edição foi o número zero e iniciar este novo ano de 2015 com o Nº1 da “Edição Pública”.

Nada melhor para começar do que a publicação, revista, dos textos com relatos muito sucintos das quatro viagens de Cristóvão Colon ao Novo Mundo, elaborados por Membros da Associação e que constam nos painéis expositivos do Centro Cristóvão Colon, na vila de Cuba.

 

CARLOS CALADO

domingo, 4 de maio de 2014

Colóquio em Montemor-o-Novo

A Associação Cristóvão Colon organiza, no próximo dia 17 de Maio, mais um dos seus Colóquios sobre o grande navegador. 
Em Montemor-o-Novo, com os apoios do Grupo dos Amigos de Montemor-o-Novo e do Município, o tema do Colóquio será a «Influência de Montemor na vida de Cristóvão Colon».



domingo, 19 de janeiro de 2014

Palácio de Mafra, revisitado

Há uns anos, após uma visita de um grupo de Membros da ACC ao Palácio de Mafra, com o expresso objectivo de apreciar a pintura do tecto da Sala das Descobertas ou dos Heróis Portugueses, na qual figura Cristóvão Colon ao lado de outras grandes figuras dos descobrimentos, tivemos a desagradável surpresa de constatar que no texto explicativo da pintura nada constava sobre Cristóvão Colon, nem sequer qualquer indicação sobre a personagem do quadrante inferior esquerdo, embora na própria pintura isso fosse bem explícito: «A Castilla y a Leon Nuevo Mundo dio Colon».



O texto explicativo era assim:

«A pintura do tecto, datada do séc. XVIII, representa os feitos dos portugueses, Vasco da Gama vencendo o Adamastor, Pedro Álvares Cabral e um retrato do Infante D. Henrique. É da autoria de Cirilo Wolkmar Machado.

As paredes estavam ornadas com quadros representando "as façanhas dos Castros, Albuquerques, Almeidas e Mascarenhas", cujos apelidos ainda se encontram pintados nos medalhões das paredes, e que foram com D. João VI para o Brasil e não regressaram.»
 

Escrevemos ao Director do Palácio sobre a omissão e depois de vários meses recebemos uma resposta, com uma explicação nada convincente.

Ontem, como se realizava em Mafra uma Tertúlia sobre Cristóvão Colon, dois dos nossos Membros foram visitar o Palácio e a Sala das Descobertas, deparando-se com este novo texto explicativo da pintura.

 

«A pintura do tecto, da autoria de Cirilo Wolkmar Machado, representa os feitos dos portugueses além-mar, como Vasco da Gama vencendo o Adamastor, Cristóvão Colombo, descobridor da América, Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil e um retrato do Infante D. Henrique.
As paredes estavam ornadas com quadros representando as façanhas dos Castros, Albuquerques, Almeidas e Mascarenhas na Índia. Esta telas foram com o Rei D. João VI para o Brasil onde ficaram após o retorno da Família Real.»
 


Meio caminho andado ...

domingo, 2 de junho de 2013

5º aniversário da ACC

Cumpriram-se no passado dia 20 de Maio cinco anos desde a constituição da ACC, tendo o aniversário sido celebrado no dia 25, com um almoço-convívio entre os Membros antecedendo a Assembleia Geral Ordinária.





João  Brandão Ferreira, José Mattos e Silva, António Cunha Horta e Fernando Branco
 Carlos Paiva Neves, Paulo Barreto, Francisco Matoso, António Perestrelo Cavaco, João Garcia e António Noronha e Lorena

 José Mattos e Silva, António Cunha Horta, Fernando Branco, Julieta Marques, Inocêncio Araújo e Carlos Paiva Neves







Paulo Barreto, António Noronha e Lorena, Carlos Paiva Neves, Carlos Calado e Maria da Luz Calado

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Colombo - Lenda e mito na sessão de encerramento




A sessão de encerramento do ciclo de conferências, visitas e exposições para assinalar o 520º aniversário de Cristóvão Colon em Portugal no mês de Março de 1493 decorreu na Academia de Marinha.
A numerosa assistência, cerca de 90 pessoas, teve oportunidade de ver uma exposição bibliográfica “Cristóvão Colon na Academia de Marinha” composta pelas diversas publicações da Academia versando o tema e organizada pelo Dr. João Abel da Fonseca.
A mesa da sessão, presidida pelo Almirante Nuno Vieira Matias, Presidente da Academia de Marinha, foi composta pela Presidente da Academia Portuguesa da História, Profª Doutora Manuela Mendonça, pelo Presidente da Comissão Portuguesa de História Militar, General Alexandre de Sousa Pinto, pelo Presidente da Associação Cristóvão Colon, Engº Carlos Calado e pelo Prof. Doutor Carlos Margaça Veiga, coordenador da Comissão Executiva da organização.

Foram oradores o Comandante Luís Jorge Semedo de Matos e o Prof. Doutor José Manuel Garcia, ambos em nome da Academia de Marinha.

O Comandante Semedo de Matos apresentou uma conferência com o título «As viagens de Colombo e a náutica portuguesa de Quinhentos» na qual afirmou que o aparecimento de Colombo em Portugal, em 1476 na sequência de um naufrágio após uma batalha ao largo do Cabo de S. Vicente, decorre da lenda e do mito.
Referiu-se também a erros de Colombo na determinação de latitudes, ou por não ter viajado até aos locais ou por impreparação, ao escrever que S. Jorge da Mina está sobre a equinocial ou que a Islândia não está à latitude de 63º mas sim a 73º.
Destacou ainda que aquilo que Colombo descreveu como sendo o depois designado fenómeno da declinação magnética (as agulhas ‘noroestavam’ numa noite e ‘nordestavam’ na manhã  seguinte) terá sido, de facto, um outro fenómeno, sobre o qual o Comandante pretende publicar um trabalho.
O Prof. Doutor José Manuel Garcia apresentou a conferência «A relação de Cristóvão Colombo com D. João II» destacando a provável troca de correspondência entre Colombo e Toscanelli. Colombo teria tomado conhecimento da existência de uma carta dirigida por Toscanelli ao cónego Fernão Martins de Roriz em Portugal, apontando a possibilidade de chegada à Ásia viajando para Ocidente.
O Prof. José Manuel Garcia referiu que Fernão Martins tinha conhecido Toscanelli em 1459 quando se deslocou a Florença.
Foi com base nesta carta de Toscanelli que Colombo desenvolveu o seu plano de chegar à Índia navegando para ocidente.
Colombo apresentou o seu plano ao Rei D. João II. Ter-se-ão encontrado em 1483 na Igreja da Luz, onde se guardavam os objectos trazidos pelo mar desde as terras distantes, entre os quais havia as grossas canas onde cabiam várias garrafas de vinho entre os seus nós.
Ao ser-lhe recusado o apoio para o seu plano, Colombo decidiu ir apresentá-lo aos Reis Católicos.

No final das conferências não aconteceu o muito esperado período de debate, ficando desapontados todos aqueles que tinham várias perguntas para colocar aos conferencistas.
Tomaram a palavra a Presidente da Academia Portuguesa da História que pretendeu reforçar a ideia de que a história de Colon é uma questão em aberto e a disponibilidade e abertura para continuar essa discussão. Na mesma linha falou o Presidente da Comissão Portuguesa de História Militar e o Presidente da Academia de Marinha nas palavras de encerramento da sessão.
Antes do encerramento da sessão, o Presidente da Associação Cristóvão Colon dirigiu-se à assistência para apresentar um balanço das comemorações:
Senhores Presidentes das Entidades que nos acompanharam nesta viagem, distintos académicos, minhas senhoras e meus senhores:
Tal como aconteceu com Cristóvão Colon há 520 anos, que efectuou a sua viagem de regresso na caravela Niña, também nós, simbolizando o facto, nos fizemos acompanhar neste ciclo de conferências por aquela pequena réplica da Niña, construída e oferecida ao Centro Cristóvão Colon pelo Ten.- Coronel Carlos Paiva Neves, nosso Membro Associado; réplica que está ali fora sobre uma mesa, juntamente com alguns desdobráveis do Centro Cristóvão Colon na nossa sede na vila de Cuba, que quem o desejar poderá recolher à saída – os folhetos, não a Niña, naturalmente!
Esta nossa viagem teve certamente menores dificuldades que a de Colon, mas conseguimos congregar 4 entidades para efectuar 5 colóquios com 10 conferencistas, mais 2 visitas temáticas guiadas e explicadas por conhecedores da história dos locais visitados, 2 exposições e o apoio de 3 Câmaras Municipais e 2 Juntas de Freguesia na cedência de auditórios. E tudo isto a custo zero !
Cerca de 270 pessoas + as 90 que aqui estão hoje, acompanharam as etapas da nossa viagem, que tentámos fazer corresponder aos lugares mais representativos do Roteiro do Almirante na sua passagem e estadia em Portugal no mês de Março de 1493.
É precisamente a demarcação e valorização deste Roteiro histórico-turístico que pretendemos enfatizar junto dos Municípios visitados, incentivando a sua criação e assinalando a presença de Cristóvão Colon na forma de uma simples placa, de um marco ou mesmo de um monumento. No nosso país, onde temos, no mínimo, imensas influências, ligações e comprovada vivência do Almirante, acha-se que não é nada de importante, ao passo que, por exemplo, em Galway, na Irlanda, ainda há pouco referida na conferência do Sr. Comandante Semedo de Matos, podemos encontrar um pequeno monumento assinalando a passagem de “Colombo” em 1477.
O balanço que a ACC faz desta iniciativa que hoje se encerra é extremamente positivo, tendo sido alcançados vários objectivos:
- Assinalar a efeméride
- Envolver Entidades académicas e científicas
- Dar a conhecer a discussão do tema a outros públicos
- Abordar, sob distintas perspectivas, os tópicos adequados a cada etapa do Roteiro de Colon.
É provavelmente ainda prematuro tirar conclusões definitivas para se poder reescrever alguns capítulos da História do descobridor do Novo Mundo, mas numa brevíssima súmula do que ficou dito nas sessões anteriores, não conhecíamos ainda as comunicações de hoje, destacamos que ficou acentuada a convicção de que, no regresso da descoberta, Colon veio para Portugal porque quis e não por acção da tempestade.
Para além de aqui ter aprendido todas as técnicas e arte de marear, os seus familiares e os seus amigos estariam próximos da mais importante nobreza portuguesa.
São cada vez mais contestados os documentos que têm sustentado a sua origem genovesa e cada vez mais se afirma um perfil de um navegador da Casa Real Portuguesa com as suas ligações à Casa de Viseu e Beja, conforme descrito pela Srª Profª Manuela Mendonça em Vale do Paraíso, de um homem que relata a D. João II onde se localizam as terras de onde regressa, e que, eventualmente, o esconderia dos Reis Católicos. O homem que dá origem a um conflito diplomático que vai mudar o mundo, mas que é, simultaneamente, a charneira e a ponte entre as facções que disputam a herança do poder em Portugal.
Como pode ter conseguido estes atributos e esta importância?
Quem era este outro homem, que não aquele de quem hoje aqui ouvimos falar?