sábado, 10 de dezembro de 2022

O Grande embuste Colombo genovês: Gravação da sessão de lançamento do livro

 


Abaixo se indica o link da gravação vídeo da apresentação do livro «Colombo genovês - O tio errado - Desconstrução e cronologias do grande embuste» que teve lugar na Academia de Marinha, no dia 6 de Outubro 


https://www.youtube.com/watch?v=_gq0bUSbazE

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Porque ainda persiste o maior erro da História

 O maior erro da História, a confusão entre o Almirante Christoval Colon e um tecelão genovês de nome Cristoforo Colombo, foi, primeiro, objecto de uma multiplicação em cadeia, depois vítima da repetição do dizer por ouvir dizer e seguidamente alvo da contrafacção de documentos.

No dealbar do século XIX um congresso de americanistas decidiu, por consenso, que a versão oficial da História seria a de que o Descobridor da América fora esse tecelão genovês, transmutado no Almirante. Fê-lo sem grandes certezas, mais por falta de alternativas concorrentes.

Depois disso, começaram a surgir várias teorias contestando essa versão, embora limitadas por insuficiência de provas ou deficientes argumentos, tornando-as incapazes de destronar a versão oficial.

Em Portugal há ainda alguns historiadores profissionais que se agarram à versão oficial porque não se dedicaram a estudar as bases em que foi edificada. Num volumoso livro publicado há cerca de um ano, um reputado historiador aprofundou um pouco a pesquisa dessas bases e elencou mais de uma centena de alegações que provariam a versão do tecelão genovês.

Pois nesse livro, sobre os dois grandes pilares da tese do tecelão, diz-se o seguinte:

Sobre o sempre invocado "Testamento ou morgadio de 1498":

" (...) É, de facto, de todos os documentos conhecidos que o Almirante redigiu, o único em que se refere, de    forma clara e explícita, às suas origens genovesas (...)

Compreende-se que cubistas, catalanistas et hoc genus omne se encarnicem, quase ao rubro, contra este documento, que, de facto, há que reconhecê-lo, é um dos mais problemáticos dos documentos colombinos, já que dele não nos chegaram senão cópias, feitas para mais sobre o que parece ser uma minuta ou versão prévia não corrigida, cujos passos anacrónicos não sabemos se continuavam ou não a constar do documento definitivo e oficial, de há muito desaparecido.” 

Portanto, a "prova" máxima da genovesidade, aquele papel que sempre foi defendido como verdadeiro e fiável, já está relegado para a classificação que sempre lhe atribuímos: cópia de um rascunho. Ainda falta aos genovistas dar o passo seguinte: aceitar que é não apenas isso, mas também uma contrafacção, como já demonstrámos.

Sobre o outro documento que surgiu já em 1904 para tentar confirmar o tecelão, o chamado "Documento Assereto":

“É verdade que o documento, embora em papel, tinta e letra típicos da época, levanta algumas pequenas dificuldades (…): não é todo da mesma mão, certamente porque houve um amanuense encarregado de tomar o depoimento de cada testemunha e não o prestaram todos ao mesmo tempo, mas uma a 23 e as outras a 25 de Agosto; o nome de baptismo de Colombo aparece grafado tanto Christoforus, como Cristoforus e mesmo Cristofforus, consoante os escribas; a identificação das testemunhas é sumária, nem sempre se indicando a sua filiação, e os depoimentos não vão assinados. No entanto não há qualquer indício de que o documento tenha sido falsificado.”

Portanto, a "prova" que confirmaria a primeira também levanta algumas dificuldades, pequenas, diz o autor, pois não se referiu a todas. 

Já dissecámos este outro documento, demonstrando que as dificuldades não são pequenas, mas enormes.

Quanto a não haver indício de que tenha sido falsificado, não se conhece nenhuma perícia que o tenha demonstrado. Aliás, estranho é que esta "prova" não esteja, convenientemente protegida como é óbvio, exposta ao público e constando no roteiro turístico para os visitantes de Génova. Se é assim tão importante serviria para eliminar todas as dúvidas. 

E porque razão ainda persiste o maior erro, na verdade um grande embuste?

A resposta estará neste depoimento:

https://www.youtube.com/watch?v=rlsVFEycTm0

Carlos Calado


sábado, 12 de março de 2022

Colombo genovês, o tio errado #73 ('Provas' 118, 119 - FIM)

'Provas' {118 e 119} - pág. 892:

O seu (de Girolamo Benzoni) parti pris anti-espanhol ressumbra já, embora discretamente, da história do ovo de Colombo. É igualmente conspícuo na forma como relata o descobrimento do Novo Mundo: para ele Colombo teria começado por propor o seu plano à Senhoria de Génova, de que era natural, que, no entanto, o teve "por sonho e efabulação" {118} ...

 E daí conclui: E esta se crê ter sido a ocasião que tenha movido Colombo a ir buscar as Índias; empero que nós podemos crer que Gómara se tenha metido a confundir com muitas invenções a verdade, e tivesse ânimo de diminuir a fama de Cristóvão Colombo, não podendo suportar que um italiano haja conquistado tanta honra e glória, não somente entre a nação espanhola, mas entre todas as do mundo.{119}

 

ACC:

Estas alegações baseiam-se em escritos e afirmações de Benzoni (1519-1570) bastante posteriores aos acontecimentos e da autoria de quem não faria a mínima ideia de quem era o Almirante.

 

FIM DAS 'PROVAS' DO TIO GENOVÊS DO PROF. THOMAZ

sexta-feira, 11 de março de 2022

Colombo genovês, o tio errado #72 ('Provas' 116, 117)

'Prova' {116} - pág. 785:

Entretanto, mandadas por carta ou apresentadas de viva voz à corte pelos que regressavam, choviam em Espanha queixas contra os Colombos. Assacavam-lhes mau governo, crueldade, e inexperiência, como stranieri e oltramontani,  "estrangeiros e ultramontanos"que jamais haviam aprendido o modo de governar gente de qualidade. Recorde-se que ultramontano, em sentido próprio, significa "oriundo do outro lado dos Alpes".


ACC:

Não tendo conseguido encontrar nenhuma frase completa e sem erros que tivesse sido escrita pelo Almirante em italiano, o Prof. Thomaz consegue a proeza de pôr na voz ou na pena dos colonos espanhóis na Hispaniola as queixas, veja-se, em idioma italiano. Tudo isso para nos dizer que “oltramontani” significa “oriundo do outro lado dos Alpes”.

Esqueceu-se o inefável Prof. Thomaz que em italiano, escolhido propositadamente para iludir o leitor, do outro lado dos Alpes, para os italianos, fica o resto da Europa.

 

'Prova' {117} - pág. 849: 

... Para mais os descontentes com a governação de Ovando poderiam juntar-se-lhe e intentarem um golpe. Os inimigos de Colombo insinuavam que ele queria alçar-se contra os Reis e entregar as Índias aos genoveses o otra nación fuera de Castilla.


ACC:

O Prof. Thomaz escreve na mesma página:

“Há que notar que o próprio Almirante dera de certo modo azo a tais rumores, pois sempre se associara a mercadores italianos, como Gianotto Berardi, Francesco dei Bardi, Amerigo Vespucci, Girolamo Rufaldi, Simone Verde, Francesco Doria, Francesco Sopranis di Riberoll, Gaspar Spinola e Rafaele Catagno”.

Naturalmente que o Almirante estabelecera ligações com genoveses pois estes, tal como os oriundos de outras grandes potencias comerciais italianas - florentinos e venezianos – tinham uma forte presença comercial e financeira em Castela. Recorrer a financiamentos ou negócios com quem dominava o mercado não significa absolutamente que o Almirante fosse genovês.

Note-se, aliás, que a frase utilizada pelos descontentes expressa isso mesmo, pois acusavam Colon de querer entregar as Índias aos genoveses, implantados em Castela, ou a outra nação fora de Castela.