terça-feira, 2 de junho de 2026

 

NOVOS ESTUDOS GENÉTICOS

Há pouco mais de um mês, na vizinha Espanha, vários meios de comunicação galegos e também o mais global e conhecido El Mundo surpreenderam o público com a notícia de que se confirmava a teoria de que Cristóbal Colón era galego, tratando-se de Pedro Álvarez de Sotomayor, também conhecido por Pedro Madruga, que foi Conde de Caminha.

Desta vez, em Portugal e ao contrário do que acontecera em Outubro de 2024 após a emissão do documentário “Colón ADN” na Televisão Espanhola sobre a hipótese de que Colón era um judeu valenciano (tema que foi por nós dissecado em publicação anterior), os meios de comunicação não se terão interessado pela notícia, havendo apenas conhecimento de uma reprodução com reduzido alcance público.

(Atlántico, Vigo - 8 Abril 2026)

“Un nuevo análisis genético hace gallego a Colón: era un Sotomayor 

Este estudio establece un marco coherente que vincula el linaje del Almirante con la antigua nobleza gallega y navarra, señala el equipo autor de la investigación.

La genética vuelve a apuntar a que Cristóbal Colón era español, descendiente del linaje de los Sotomayor, alta nobleza gallega. “Los hallazgos proporcionan por primera vez un sólido respaldo genético a la hipótesis de una procedencia gallega para Cristóbal Colón”, señala un estudio muy importante a través del análisis arqueogenómico y bioinformático del linaje de Colón que acaba de publicarse este pasado 5 de abril.

“Este estudio establece un marco coherente que vincula el linaje de Colón con la antigua nobleza gallega y navarra”, señala. Se fija en los actuales condes de Gelves, que son descendientes directos de Cristóbal Colón y que comparten una arquitectura genética común con las casas Sotomayor y Zúñiga.

Los orígenes geográficos y familiares de Cristóbal Colón han sido objeto de intenso debate historiográfico durante más de cinco siglos. A pesar de las numerosas hipótesis, hasta ahora no existía en la literatura evidencia genética empírica capaz de dilucidar su historia ancestral ni su lugar de nacimiento. Este estudio presenta la tercera fase del primer análisis genético forense realizado sobre restos óseos pertenecientes a varios descendientes directos de Colón, que abarcan los siglos XVI al XVIII. Mediante la aplicación de la secuenciación masiva en paralelo (MPS) para analizar marcadores de ADN autosómicos, de los cromosomas X e Y, e integrando los resultados con evidencia multidisciplinaria procedente de investigaciones históricas, genealógicas, arqueológicas y antropológicas implicadas en este proyecto, se ha logrado la identificación de varios individuos hallados en la cripta de Santa María de Gracia, en Gelves (Sevilla). El análisis de su parentesco biológico permitió reconstruir las redes de parentesco entre los individuos enterrados en la cripta, lo que, interpretado en el contexto de los linajes genealógicos documentados, proporciona evidencia indirecta, pero consistente que apunta hacia el origen controvertido del descubridor.”

 

O ESTUDO GENÉTICO

O documento científico está pré-publicado para revisão pelos pares e pode ser consultado em: https://www.biorxiv.org/content/10.64898/2026.04.01.715912v1.full

Mostra-se mais abaixo apenas o quadro mais relevante para o desenvolvimento deste artigo.

O primeiro passo permitiu determinar, para cada um dos doze indivíduos cujas ossadas se encontram na cripta dos Condes de Gelves, Sevilha, qual a idade estimada, o sexo e a existência de patologias.

Os dados genéticos de cada indivíduo foram depois comparados com registos históricos  permitindo a realização de uma tabela identificativa, que se conseguiu para sete das ossadas. Procuraram-se, pelos resultados genéticos, relações de parentesco entre eles.

Tendo sido detectada uma inesperada relação de parentesco entre dois dos indivíduos, Maria Luísa de Castro (Ind. II) e Jorge Alberto de Portugal – 3º Conde de Gelves (Ind. VII), em que a presença de Maria Luísa de Castro na cripta se deve a ter sido a segunda mulher do 6º Conde de Gelves - Pedro Nuno Colon de Portugal, a equipa de cientistas explorou toda a genealogia dos antepassados de Maria Luísa de Castro para tentar encontrar uma explicação para esse parentesco. A conclusão a que chegaram foi de que havia grande preponderância das famílias Zuñiga e Sotomayor nessa genealogia e daí encontraram que colocando Pedro Álvarez Sotomayor (PAS) como Cristóvão Colon conseguiam fechar os circuitos familiares, o mesmo não acontecendo ao excluir PAS do complexo traçado genealógico patente no documento científico, onde constam vários ramos colaterais.

Nesse quadro genealógico do documento (Fig.1), os elementos, homens e mulheres, são apenas identificados por formas e números, pelo que tentámos identificar cada um dos indivíduos como se mostra na Figura 2 e onde apenas reproduzimos as linhas das ligações directas entre os dois indivíduos em questão, tendo encontrado contradições entre ‘sites’ genealógicos na identificação de alguns dos personagens, como assinalamos.

Fig. 1

Quadro genealógico simplificado, baseado no quadro mais complexo patente no documento científico

Para a equipa de cientistas, de que tenham conhecimento, PAS seria o único antepassado capaz de conciliar a covariância genómica. Daí até à precipitada conclusão anunciada nos periódicos galegos foi apenas um pequeno passo.




A bizarra complexidade das conexões genealógicas de algumas famílias com origem no norte da Ibéria em que se recua nove gerações desde Maria Luísa de Castro e depois se avança oito gerações até Jorge Alberto de Portugal, 3º Conde de Gelves, inserindo Pedro Álvarez de Sotomayor (PAS) como Cristóvão Colon (CC) suscitou-nos alguma estranheza pelo procedimento, apenas teórico e sem nenhuma demonstração científica, tanto mais que não foram publicados os nomes correspondentes aos números e que existem dúvidas sobre a identidade da mãe de Pedro Álvarez de Sotomayor e, como tal, sobre os antepassados desta para ficar demosntrado que ambos os ramos ascendentes da genealogia confluem na mesma senhora nº10.

Ligações entre famílias da Ibéria há certamente centenas ao longo de gerações e o apelido Castro imediatamente nos despertou para uma outra hipótese:

Será que Maria Luísa Castro descende também de Beatriz de Castro Osório, Condessa de Lemos, que chamava sobrinho a Diogo Colon e isso permitiria estabelecer uma relação de parentesco diferente entre os Indivíduos II e VII da cripta?

Ou talvez descendesse de Joana de Castro, mulher do Duque de Bragança, dos quais também descendiam os Condes de Gelves?

Pesquisamos então a genealogia de Maria Luísa Castro e, sem surpresa, nos seus ascendentes encontramos a confirmação de ambas as hipóteses colocadas. (Fig.3)

Como se demonstra, Ind. II - Maria Luísa de Castro, 6ª Condessa consorte de Gelves descende, sempre por via masculina (cor azul), de Diniz de Bragança, marido de Beatriz de Castro Osório, e retrocedendo mais, de Fernando I de Bragança, marido de Joana de Castro.

E, também como se demonstra, Ind. VII - Jorge Alberto Portugal, 3º Conde de Gelves, (cujo nome mais completo seria Jorge Alberto de Portugal y Fernández de Córdoba, distinguindo-se do 1º Conde e seu avô, Jorge Alberto de Portugal e Melo) descende de Fernando I de Bragança e Joana de Castro. 

Enquanto no estudo científico se atribui o parentesco encontrado com a hipótese de PAS = CC, com 9 (ascendentes)+8 (descendentes) =17 graus de afastamento, o resultado que apresentamos atribui o parentesco encontrado independente da identidade de Cristóvão Colon (CC), pois tem linha de continuidade desde Isabel Colon Toledo, sua neta devido ao seu casamento com Jorge Alberto de Portugal e Melo, com 8 (ascendentes)+4 (descendentes) =12 graus de afastamento.

Tendo sido a primeira evidência esta não é, no entanto, a única via que comprova uma relação de parentesco entre Maria Luísa de Castro e Jorge Alberto de Portugal, pois têm também como antepassados comuns os bisavós de Maria de Toledo, mulher de Diogo Colon e que são também bisavós de Beatriz de Castro Osório, conduzindo a 15 graus de afastamento.

Acresce que a confirmar-se a teoria de que Cristóvão Colon pertenceria à família Real Portuguesa também nos permitiria demonstrar uma relação de parentesco (13 graus de afastamento) ainda mais próxima entre Maria Luísa de Castro e Jorge Alberto de Portugal. 



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