terça-feira, 2 de junho de 2026

 

NOVOS ESTUDOS GENÉTICOS

Há pouco mais de um mês, na vizinha Espanha, vários meios de comunicação galegos e também o mais global e conhecido El Mundo surpreenderam o público com a notícia de que se confirmava a teoria de que Cristóbal Colón era galego, tratando-se de Pedro Álvarez de Sotomayor, também conhecido por Pedro Madruga, que foi Conde de Caminha.

Desta vez, em Portugal e ao contrário do que acontecera em Outubro de 2024 após a emissão do documentário “Colón ADN” na Televisão Espanhola sobre a hipótese de que Colón era um judeu valenciano (tema que foi por nós dissecado em publicação anterior), os meios de comunicação não se terão interessado pela notícia, havendo apenas conhecimento de uma reprodução com reduzido alcance público.

(Atlántico, Vigo - 8 Abril 2026)

“Un nuevo análisis genético hace gallego a Colón: era un Sotomayor 

Este estudio establece un marco coherente que vincula el linaje del Almirante con la antigua nobleza gallega y navarra, señala el equipo autor de la investigación.

La genética vuelve a apuntar a que Cristóbal Colón era español, descendiente del linaje de los Sotomayor, alta nobleza gallega. “Los hallazgos proporcionan por primera vez un sólido respaldo genético a la hipótesis de una procedencia gallega para Cristóbal Colón”, señala un estudio muy importante a través del análisis arqueogenómico y bioinformático del linaje de Colón que acaba de publicarse este pasado 5 de abril.

“Este estudio establece un marco coherente que vincula el linaje de Colón con la antigua nobleza gallega y navarra”, señala. Se fija en los actuales condes de Gelves, que son descendientes directos de Cristóbal Colón y que comparten una arquitectura genética común con las casas Sotomayor y Zúñiga.

Los orígenes geográficos y familiares de Cristóbal Colón han sido objeto de intenso debate historiográfico durante más de cinco siglos. A pesar de las numerosas hipótesis, hasta ahora no existía en la literatura evidencia genética empírica capaz de dilucidar su historia ancestral ni su lugar de nacimiento. Este estudio presenta la tercera fase del primer análisis genético forense realizado sobre restos óseos pertenecientes a varios descendientes directos de Colón, que abarcan los siglos XVI al XVIII. Mediante la aplicación de la secuenciación masiva en paralelo (MPS) para analizar marcadores de ADN autosómicos, de los cromosomas X e Y, e integrando los resultados con evidencia multidisciplinaria procedente de investigaciones históricas, genealógicas, arqueológicas y antropológicas implicadas en este proyecto, se ha logrado la identificación de varios individuos hallados en la cripta de Santa María de Gracia, en Gelves (Sevilla). El análisis de su parentesco biológico permitió reconstruir las redes de parentesco entre los individuos enterrados en la cripta, lo que, interpretado en el contexto de los linajes genealógicos documentados, proporciona evidencia indirecta, pero consistente que apunta hacia el origen controvertido del descubridor.”

 

O ESTUDO GENÉTICO

O documento científico está pré-publicado para revisão pelos pares e pode ser consultado em: https://www.biorxiv.org/content/10.64898/2026.04.01.715912v1.full

Mostra-se mais abaixo apenas o quadro mais relevante para o desenvolvimento deste artigo.

O primeiro passo permitiu determinar, para cada um dos doze indivíduos cujas ossadas se encontram na cripta dos Condes de Gelves, Sevilha, qual a idade estimada, o sexo e a existência de patologias.

Os dados genéticos de cada indivíduo foram depois comparados com registos históricos  permitindo a realização de uma tabela identificativa, que se conseguiu para sete das ossadas. Procuraram-se, pelos resultados genéticos, relações de parentesco entre eles.

Tendo sido detectada uma inesperada relação de parentesco entre dois dos indivíduos, Maria Luísa de Castro (Ind. II) e Jorge Alberto de Portugal – 3º Conde de Gelves (Ind. VII), em que a presença de Maria Luísa de Castro na cripta se deve a ter sido a segunda mulher do 6º Conde de Gelves - Pedro Nuno Colon de Portugal, a equipa de cientistas explorou toda a genealogia dos antepassados de Maria Luísa de Castro para tentar encontrar uma explicação para esse parentesco. A conclusão a que chegaram foi de que havia grande preponderância das famílias Zuñiga e Sotomayor nessa genealogia e daí encontraram que colocando Pedro Álvarez Sotomayor (PAS) como Cristóvão Colon conseguiam fechar os circuitos familiares, o mesmo não acontecendo ao excluir PAS do complexo traçado genealógico patente no documento científico, onde constam vários ramos colaterais.

Nesse quadro genealógico do documento (Fig.1), os elementos, homens e mulheres, são apenas identificados por formas e números, pelo que tentámos identificar cada um dos indivíduos como se mostra na Figura 2 e onde apenas reproduzimos as linhas das ligações directas entre os dois indivíduos em questão, tendo encontrado contradições entre ‘sites’ genealógicos na identificação de alguns dos personagens, como assinalamos.

Fig. 1

Quadro genealógico simplificado, baseado no quadro mais complexo patente no documento científico

Para a equipa de cientistas, de que tenham conhecimento, PAS seria o único antepassado capaz de conciliar a covariância genómica. Daí até à precipitada conclusão anunciada nos periódicos galegos foi apenas um pequeno passo.




A bizarra complexidade das conexões genealógicas de algumas famílias com origem no norte da Ibéria em que se recua nove gerações desde Maria Luísa de Castro e depois se avança oito gerações até Jorge Alberto de Portugal, 3º Conde de Gelves, inserindo Pedro Álvarez de Sotomayor (PAS) como Cristóvão Colon (CC) suscitou-nos alguma estranheza pelo procedimento, apenas teórico e sem nenhuma demonstração científica, tanto mais que não foram publicados os nomes correspondentes aos números e que existem dúvidas sobre a identidade da mãe de Pedro Álvarez de Sotomayor e, como tal, sobre os antepassados desta para ficar demosntrado que ambos os ramos ascendentes da genealogia confluem na mesma senhora nº10.

Ligações entre famílias da Ibéria há certamente centenas ao longo de gerações e o apelido Castro imediatamente nos despertou para uma outra hipótese:

Será que Maria Luísa Castro descende também de Beatriz de Castro Osório, Condessa de Lemos, que chamava sobrinho a Diogo Colon e isso permitiria estabelecer uma relação de parentesco diferente entre os Indivíduos II e VII da cripta?

Ou talvez descendesse de Joana de Castro, mulher do Duque de Bragança, dos quais também descendiam os Condes de Gelves?

Pesquisamos então a genealogia de Maria Luísa Castro e, sem surpresa, nos seus ascendentes encontramos a confirmação de ambas as hipóteses colocadas. (Fig.3)

Como se demonstra, Ind. II - Maria Luísa de Castro, 6ª Condessa consorte de Gelves descende, sempre por via masculina (cor azul), de Diniz de Bragança, marido de Beatriz de Castro Osório, e retrocedendo mais, de Fernando I de Bragança, marido de Joana de Castro.

E, também como se demonstra, Ind. VII - Jorge Alberto Portugal, 3º Conde de Gelves, (cujo nome mais completo seria Jorge Alberto de Portugal y Fernández de Córdoba, distinguindo-se do 1º Conde e seu avô, Jorge Alberto de Portugal e Melo) descende de Fernando I de Bragança e Joana de Castro. 

Enquanto no estudo científico se atribui o parentesco encontrado com a hipótese de PAS = CC, com 9 (ascendentes)+8 (descendentes) =17 graus de afastamento, o resultado que apresentamos atribui o parentesco encontrado independente da identidade de Cristóvão Colon (CC), pois tem linha de continuidade desde Isabel Colon Toledo, sua neta devido ao seu casamento com Jorge Alberto de Portugal e Melo, com 8 (ascendentes)+4 (descendentes) =12 graus de afastamento.

Tendo sido a primeira evidência esta não é, no entanto, a única via que comprova uma relação de parentesco entre Maria Luísa de Castro e Jorge Alberto de Portugal, pois têm também como antepassados comuns os bisavós de Maria de Toledo, mulher de Diogo Colon e que são também bisavós de Beatriz de Castro Osório, conduzindo a 15 graus de afastamento.

Acresce que a confirmar-se a teoria de que Cristóvão Colon pertenceria à família Real Portuguesa também nos permitiria demonstrar uma relação de parentesco (13 graus de afastamento) ainda mais próxima entre Maria Luísa de Castro e Jorge Alberto de Portugal. 



quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Documentário sobre o ADN de Colon - da Ciência até à ficção

 

DA CIÊNCIA ATÉ À FICÇÃO

A questão que colocámos na divulgação do documentário que iria ser emitido pela TVE era se a Ciência iria corrigir a História ou se iria a estória sobrepor-se à Ciência?O lema do documentário era promissor e, apesar de pretender agarrar o espectador socorrendo-se de uma realização apostada em criar algum suspense, descrevia muito ao de leve as teorias sobre as origens de Colon sujeitas ao crivo das comparações genéticas e era depois apresentado aos respectivos proponentes o resultado que tinha sido cientificamente obtido.

Começando por afirmar que existem mais de 25 teorias sobre onde nasceu e quem era o Almirante Colon, entre elas Norueguês, Sueco, Polaco, Inglês, Escocês, Francês, Hungaro, Russo, Grego, Italiano, Português e Espanhol, iluminando num mapa cada um desses países, tinham sido escolhidas oito finalistas, consideradas as mais credíveis.

Faltou indicar qual o critério adoptado para essa escolha, mas podemos deduzir, à posteriori, que o principal factor terá sido o de apresentarem amostras de ADN para comparação com o ADN de Colon, mais propriamente de seu filho Hernando, por ser mais completo.

Numa grande sala encontravam-se oito cadeiras com as respectivas bandeiras identificadoras, onde se sentavam os proponentes à medida que eram chamados para ouvir o resultado científico a transmitir pelo Prof. Llorente.

 

A teoria Espanhola-Castelhana propõe que Colon era um nobre, filho de Aldonza de Mendoza que faleceu no parto, de seu nome Rodrigo de Mendoza, o qual foi enviado para Génova e esconderia a sua identidade com receio de ser assassinado tal como acontecera com seu irmão, Alfon de Mendoza, logo aos cinco anos de idade. Pertencia à grande nobreza, sendo primo do poderoso Cardeal Mendoza. A amostra de ADN foi recolhida nas ossadas do túmulo de Aldonza de Mendoza em Cogolludo.

 

A primeira das teorias portuguesas apresentada foi a de que Colon seria um nobre português, que casou em Portugal, capitaneou navios e era próximo do Rei. Não se conhecem documentos porque teria outro nome e era o corsário Pedro de Ataíde. Foi aberto o túmulo de António de Ataíde, Conde de Castanheira e primo de Pedro de Ataíde, tendo sido obtido ADN a partir dos ossos recolhidos.

 

A segunda das teorias portuguesas escolhidas foi a de que Colon estava aparentado com a Casa Real Portuguesa e também com a Casa Real Espanhola, sendo filho da Princesa Leonor de Avis fruto de uma relação com o Beato Amadeu de Portugal antes do seu casamento com o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Foi recolhido ADN em actual descendente da família Silva à qual pertencia o Beato Amadeu e também ADN recolhido em cabelos de Dª Inês de Castro que era a bisavó da Princesa.

 

A teoria Espanhola-Galega propõe duas hipóteses, numa delas Colon seria filho do casal Joan e Constanza Colon, a outra de que Colon era Pedro Alvarez de Sottomayor conhecido como Pedro Madruga, Duque de Caminha, que desapareceu exactamente no mesmo dia em que Colon foi recebido em entrevista pelos Reis Católicos. Em ossadas indiferenciadas desenterradas em Poio, dito o único local onde existiam famílias com esse nome Colon não foi possível obter ADN, mas numa outra localidade galega foi aberto o túmulo de Joan Mariño de Sotomayor, primo de Pedro Madruga, e recolhido ADN.

 

A teoria Espanhola-Maiorquina defende que Colon era filho do Príncipe de Viana, irmão do Rei Fernando de Aragão. O Príncipe passou por Maiorca em 1459, onde conheceu Margarita Colom tendo dessa curta relação nascido Colon, o qual seria assim sobrinho dos Reis Católicos, razão para poder exigir os títulos a que só os nobres podiam aceder.

Após uma primeira tentativa frustada para obter ADN no túmulo de Alfonso de Aragón, conseguiu-se obter ADN no mausoléu de D. Tello de Castilla, da família real.

Os resultados iniciais geraram grande expectativa entre os cientistas, encontrando coincidências animadoras, o que levou o Prof. Llorente a recolher ADN adicional para resultados mais abrangentes.

 

Enquanto tal decorria surgiu uma teoria até agora não conhecida, Espanhola-Navarra, segundo a qual Colon não era um aristocrata mas sim um Agote, grupo social ou etnia descriminada na Baixa Navarra, portador de doenças características muito específicas e das quais Colon também sofreria, segundo o proponente da teoria. Foi recolhido ADN em vários homens Agote da região.

 

Uma a uma todas as seis teorias foram sendo consideradas inválidas, no encontro do Dr. Llorente com os respectivos proponentes onde lhes transmitia que os resultados dos testes de ADN eram negativos, não coincidiam. As reacções variaram entre a resignação, o desânimo e o choque total.

 

A produtora do documentário anunciou então que já só restava uma teoria que pudesse contrariar a tese oficial genovesa. Era a teoria do Colon judeu.

O Prof. Llorente foi ao encontro do respectivo proponente e transmitiu-lhe, com toda a alegria, segundo as suas palavras, que era a teoria que mais se aproximava. No ADN de Hernando Colón, tanto do cromossoma Y como do mitocondrial tinham sido identificados vestígios de ADN judeu.

No documentário mostrou-se então um mapa indicando que existiam judeus em toda a península ibérica, mas de imediato foi mostrado um mapa com a distribuição de judeus em todo o arco mediterrânico ocidental, ou seja Itália e Sicília, ilhas Baleares e costa oriental de Espanha. Como o número de judeus na costa oriental de Espanha era o maior, eliminaram todas as outras áreas e concluíram que Colon seria de uma família judia fixada na região de Valência.

Foi esta a conclusão do documentário, que provocou larga difusão mediática.

O que fora apresentado como sendo o resultado científico para reescrever a História terminou em ficção, sem razão justificada.

 

Sobre o resultado dos testes comparativos de ADN se pronunciarão os cientistas quando forem publicados e avaliados pelos pares e os proponentes das seis teorias inválidas tomarão as posições que entenderem.

 

O que devemos salientar é que a versão oficial genovesa teria ficado eliminada logo pela conclusão de que Cristobal e Diego Colon não eram irmãos. A teoria do Colon judeu Espanhol-Valenciano, contrariamente às outras seis teorias, não apresentou amostras de ADN para comparar, beneficiando de incompreensível vantagem. Existem outras teorias sobre um Colon com antepassados de origem judaica que foram excluídas das finalistas.

A escolha da zona de nascimento em Valência foi absolutamente arbitrária, sem critério científico.

Esta teoria considera que Colon era filho de um casal de judeus. Ora o Prof. Llorente comunicou que foi no ADN de Hernando Colon, tanto no Y como no mitocondrial que se identificaram traços de origem judia. Como o ADN mitocondrial é transmitido pela mãe, não se trata da mãe de Cristóbal Colon mas sim da mãe de seu filho Hernando, a cordovesa Beatriz de Araña.

 

Para além de terminar em ficção, a produtora do documentário distorceu os resultados científicos que uma vasta equipa internacional conseguiu obter após longos anos de pesquisas e trabalho. Deplorável absurdo.

 

A Associação Cristóvão Colon, que defende a portugalidade do navegador, rejeita a conclusão arbitrária e não científica emitida pela TVE e difundida por vários meios de comunicação nacionais.

 

Carlos Calado

terça-feira, 22 de outubro de 2024

COLON ADN

 Ecos de um documentário que prometia reescrever a História universal


O documentário «Colón ADN – su verdadero origen» anunciado e publicitado como sendo a chave para fazer reescrever a História universal foi exibido pela TVE – Televisão Espanhola no sábado, dia 12 de Outubro, Dia da Hispanidad. No Boletim Nosso Especial Amigo - Edição Pública nº 24 da ACC demos grande destaque ao acontecimento, que se aguardava há alguns anos, para que todos os interessados o pudessem seguir.

As primeiras análises genéticas aos poucos ossos guardados no túmulo do Almirante Colon na Catedral de Sevilha tinham ocorrido já há duas décadas, sendo que o objectivo inicial propunha-se determinar se esses restos mortais pertenciam efectivamente a Colon, comparando o respectivo ADN com o ADN extraído das ossadas de Hernando Colón, segundo filho do Almirante, sepultado na Catedral e dos restos mortais do irmão, Diego Colon, que se encontravam na Cartuxa de Sevilha, Mosteiro de Las Cuevas.

A pesquisa tornou-se depois mais abrangente após os resultados terem permitido concluir que os ossos pertenciam a Colon, e foram efectuados testes comparativos com amostras de 477 Colombos italianos, Coloms catalães e Coulons franceses. Todas deram resultados negativos.

Também, na ocasião, foram reveladas três conclusões interessantes: por um lado a confirmação de que os exames aos ossos de Diego e de Cristóbal demonstravam que eram irmãos, por outro lado a indicação de que a idade de Diego Colon não coincidia com a idade de Giacomo Colombo, o irmão de Cristoforo Colombo genovês, e ainda que a genética de Colon correspondia à raça caucasiana.

Duas destas três conclusões foram agora contrariadas durante o documentário televisivo: Cristóbal e Diego já não serão irmãos, mas sim primos com algum grau de afastamento; a genética de Colon apresenta traços da raça judia e não da caucasiana.

Sobre estas e sobre outras conclusões certamente se pronunciarão os especialistas em genética quando o Prof. Llorente registar os resultados detalhados em publicação científica.

Para já, apenas nos limitamos a constatar que alguns desses especialistas já se pronunciaram colocando em causa o valor científico do documentário.

 Carlos Calado

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Lançamento do livro «Columbus in the crosswinds»

 Decorreu no dia 3 de Junho o lançamento do livro «Columbus in the crosswinds» da autoria do Dr. Manuel Rosa, um dos Membros Fundadores da Associação Cristóvão Colon.

O livro tem edição da Direcção Cultural da Marinha , foi apresentado no Museu de Marinha (pavilhão das galeotas) tendo presidido à sessão S.Exa o Chefe de Estado Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, Almirante Henrique Gouveia e Melo que foi também o autor da Introdução à obra.






 





Alguns Membros da ACC e amigos defensores da portugalidade de Cristóvão Colon, com o autor e com S.Exa. o Almirante Gouveia e Melo






domingo, 26 de maio de 2024

Conferência na Fundação Cidade de Lisboa

 Decorreu com bastante interesse pela assistência, de que resultou um animado período de perguntas e esclarecimentos, a conferência do dia 22 de Maio, presidida pelo Professor Carmona Rodrigues.



quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Apresentação do livro "Colombo genovês ... o grande embuste"

 No sábado dia 7 de Outubro, às 16h30 tem lugar na Biblioteca Municipal de Cuba uma sessão de apresentação do livro de Carlos A.C. Calado com o título «Colombo genovês - o tio errado. Desconstrução e cronologias do grande embuste»



segunda-feira, 17 de abril de 2023

Conferência na Academia Portuguesa da História - 26 Abril

 No próximo dia 26 de Abril às 15 horas será apresentada na Academia Portuguesa da História, pelo Engº Carlos Calado, Presidente da ACC, a conferência «A aritmética do ano em que nasceu Colombo» que revela mais um aspecto da construção imaginada  de um Almirante Colon nascido em 1451.

Para além da sessão presencial, a conferência será também acessível online,  por Zoom. No dia 24 será aqui disponibilizado o respectivo link de acesso.



sábado, 10 de dezembro de 2022

O Grande embuste Colombo genovês: Gravação da sessão de lançamento do livro

 


Abaixo se indica o link da gravação vídeo da apresentação do livro «Colombo genovês - O tio errado - Desconstrução e cronologias do grande embuste» que teve lugar na Academia de Marinha, no dia 6 de Outubro 


https://www.youtube.com/watch?v=_gq0bUSbazE

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Porque ainda persiste o maior erro da História

 O maior erro da História, a confusão entre o Almirante Christoval Colon e um tecelão genovês de nome Cristoforo Colombo, foi, primeiro, objecto de uma multiplicação em cadeia, depois vítima da repetição do dizer por ouvir dizer e seguidamente alvo da contrafacção de documentos.

No dealbar do século XIX um congresso de americanistas decidiu, por consenso, que a versão oficial da História seria a de que o Descobridor da América fora esse tecelão genovês, transmutado no Almirante. Fê-lo sem grandes certezas, mais por falta de alternativas concorrentes.

Depois disso, começaram a surgir várias teorias contestando essa versão, embora limitadas por insuficiência de provas ou deficientes argumentos, tornando-as incapazes de destronar a versão oficial.

Em Portugal há ainda alguns historiadores profissionais que se agarram à versão oficial porque não se dedicaram a estudar as bases em que foi edificada. Num volumoso livro publicado há cerca de um ano, um reputado historiador aprofundou um pouco a pesquisa dessas bases e elencou mais de uma centena de alegações que provariam a versão do tecelão genovês.

Pois nesse livro, sobre os dois grandes pilares da tese do tecelão, diz-se o seguinte:

Sobre o sempre invocado "Testamento ou morgadio de 1498":

" (...) É, de facto, de todos os documentos conhecidos que o Almirante redigiu, o único em que se refere, de    forma clara e explícita, às suas origens genovesas (...)

Compreende-se que cubistas, catalanistas et hoc genus omne se encarnicem, quase ao rubro, contra este documento, que, de facto, há que reconhecê-lo, é um dos mais problemáticos dos documentos colombinos, já que dele não nos chegaram senão cópias, feitas para mais sobre o que parece ser uma minuta ou versão prévia não corrigida, cujos passos anacrónicos não sabemos se continuavam ou não a constar do documento definitivo e oficial, de há muito desaparecido.” 

Portanto, a "prova" máxima da genovesidade, aquele papel que sempre foi defendido como verdadeiro e fiável, já está relegado para a classificação que sempre lhe atribuímos: cópia de um rascunho. Ainda falta aos genovistas dar o passo seguinte: aceitar que é não apenas isso, mas também uma contrafacção, como já demonstrámos.

Sobre o outro documento que surgiu já em 1904 para tentar confirmar o tecelão, o chamado "Documento Assereto":

“É verdade que o documento, embora em papel, tinta e letra típicos da época, levanta algumas pequenas dificuldades (…): não é todo da mesma mão, certamente porque houve um amanuense encarregado de tomar o depoimento de cada testemunha e não o prestaram todos ao mesmo tempo, mas uma a 23 e as outras a 25 de Agosto; o nome de baptismo de Colombo aparece grafado tanto Christoforus, como Cristoforus e mesmo Cristofforus, consoante os escribas; a identificação das testemunhas é sumária, nem sempre se indicando a sua filiação, e os depoimentos não vão assinados. No entanto não há qualquer indício de que o documento tenha sido falsificado.”

Portanto, a "prova" que confirmaria a primeira também levanta algumas dificuldades, pequenas, diz o autor, pois não se referiu a todas. 

Já dissecámos este outro documento, demonstrando que as dificuldades não são pequenas, mas enormes.

Quanto a não haver indício de que tenha sido falsificado, não se conhece nenhuma perícia que o tenha demonstrado. Aliás, estranho é que esta "prova" não esteja, convenientemente protegida como é óbvio, exposta ao público e constando no roteiro turístico para os visitantes de Génova. Se é assim tão importante serviria para eliminar todas as dúvidas. 

E porque razão ainda persiste o maior erro, na verdade um grande embuste?

A resposta estará neste depoimento:

https://www.youtube.com/watch?v=rlsVFEycTm0

Carlos Calado


sábado, 12 de março de 2022

Colombo genovês, o tio errado #73 ('Provas' 118, 119 - FIM)

'Provas' {118 e 119} - pág. 892:

O seu (de Girolamo Benzoni) parti pris anti-espanhol ressumbra já, embora discretamente, da história do ovo de Colombo. É igualmente conspícuo na forma como relata o descobrimento do Novo Mundo: para ele Colombo teria começado por propor o seu plano à Senhoria de Génova, de que era natural, que, no entanto, o teve "por sonho e efabulação" {118} ...

 E daí conclui: E esta se crê ter sido a ocasião que tenha movido Colombo a ir buscar as Índias; empero que nós podemos crer que Gómara se tenha metido a confundir com muitas invenções a verdade, e tivesse ânimo de diminuir a fama de Cristóvão Colombo, não podendo suportar que um italiano haja conquistado tanta honra e glória, não somente entre a nação espanhola, mas entre todas as do mundo.{119}

 

ACC:

Estas alegações baseiam-se em escritos e afirmações de Benzoni (1519-1570) bastante posteriores aos acontecimentos e da autoria de quem não faria a mínima ideia de quem era o Almirante.

 

FIM DAS 'PROVAS' DO TIO GENOVÊS DO PROF. THOMAZ

sexta-feira, 11 de março de 2022

Colombo genovês, o tio errado #72 ('Provas' 116, 117)

'Prova' {116} - pág. 785:

Entretanto, mandadas por carta ou apresentadas de viva voz à corte pelos que regressavam, choviam em Espanha queixas contra os Colombos. Assacavam-lhes mau governo, crueldade, e inexperiência, como stranieri e oltramontani,  "estrangeiros e ultramontanos"que jamais haviam aprendido o modo de governar gente de qualidade. Recorde-se que ultramontano, em sentido próprio, significa "oriundo do outro lado dos Alpes".


ACC:

Não tendo conseguido encontrar nenhuma frase completa e sem erros que tivesse sido escrita pelo Almirante em italiano, o Prof. Thomaz consegue a proeza de pôr na voz ou na pena dos colonos espanhóis na Hispaniola as queixas, veja-se, em idioma italiano. Tudo isso para nos dizer que “oltramontani” significa “oriundo do outro lado dos Alpes”.

Esqueceu-se o inefável Prof. Thomaz que em italiano, escolhido propositadamente para iludir o leitor, do outro lado dos Alpes, para os italianos, fica o resto da Europa.

 

'Prova' {117} - pág. 849: 

... Para mais os descontentes com a governação de Ovando poderiam juntar-se-lhe e intentarem um golpe. Os inimigos de Colombo insinuavam que ele queria alçar-se contra os Reis e entregar as Índias aos genoveses o otra nación fuera de Castilla.


ACC:

O Prof. Thomaz escreve na mesma página:

“Há que notar que o próprio Almirante dera de certo modo azo a tais rumores, pois sempre se associara a mercadores italianos, como Gianotto Berardi, Francesco dei Bardi, Amerigo Vespucci, Girolamo Rufaldi, Simone Verde, Francesco Doria, Francesco Sopranis di Riberoll, Gaspar Spinola e Rafaele Catagno”.

Naturalmente que o Almirante estabelecera ligações com genoveses pois estes, tal como os oriundos de outras grandes potencias comerciais italianas - florentinos e venezianos – tinham uma forte presença comercial e financeira em Castela. Recorrer a financiamentos ou negócios com quem dominava o mercado não significa absolutamente que o Almirante fosse genovês.

Note-se, aliás, que a frase utilizada pelos descontentes expressa isso mesmo, pois acusavam Colon de querer entregar as Índias aos genoveses, implantados em Castela, ou a outra nação fora de Castela.

quinta-feira, 10 de março de 2022

Colombo genovês, o tio errado #71 ('Prova' 115)

 'Prova' {115} - pág. 756:

 A ligação do descobridor a Génova é, alem disso, ainda que indirectamente, confirmada pelos codicilos deste seu derradeiro testamento, em que institui seis legados, dos quais cinco a favor de genoveses {115}


ACC:

O que aqui se invoca é um apenso ao Codicilo e Testamento de 1506, geralmente conhecido como Memorial das Dívidas ou Memorial dos Pagos, cujo texto é o seguinte:

Relacion de ciertas personas a quien yo quiero que se den de mis bienes lo contenido en este memorial, sin que se le quite cosa alguna dello.— Hasele de dar en tal forma que no sepa quien se las manda dar.

Primeramente, a los herederos de Geronimo del Puerto, padre de Benito del Puerto, Chanceller en Genova, veinte ducados

o su valor. A Antonio Vazo, mercader Ginoves, que solia vivir en Lisboa, dos mil e quinientos reales de Portugal, que son siete ducados poco mas, a razon de trescientos e setenta y cinco reales el ducado.

A un judio que moraba a la puerta de la juderia en Lisboa, o a quien mandare un Sacerdote, el valor de medio marco de plata.

A los herederos de Luis Centurion Escolo, mercader Ginoves treinta mil reales de Portugal, de los cuales vale un ducado trescientos ochenta y cinco reales, que son setenta y cinco ducados poco mas o menos.

A esos mismos herederos y a los herederos de Paulo de Negro, Ginoves, cien ducados o su valor. Han de ser la mitad a los unos herederos y la otra a los otros. A Baptisla Espindola, o a sus herederos, si es muerto, veinte ducados. Este Baptista Espindola es yerno del sobredicho Luis Centurion era hijo de Micer Nicolao Espindola de Locoli de Ronco, y por senas el fue estante en Lisboa el ano de mil cuatrocientos ochenta y dos.


Não há dúvida de que quase todos os destinatários são genoveses.  As quantias a entregar são referidas na moeda Ducado, à excepção do meio marco de prata, e são muito distintas e detalhadas, de valores pouco elevados.

O Ducado era uma das moedas de Castela, onde o Almirante faleceu e onde teria mandado escrever esse Memorial dos Pagos. Quando o Almirante redigiu ou fez redigir o Memorial encontrava-se em Castela e naturalmente indicou os valores em Ducados. Seria não apenas uma moeda castelhana mas também uma moeda usada no comércio internacional, nomeadamente pela República de Veneza. 

No entanto, algumas quantias são referidas primeiramente em Reais de Portugal, depois convertidos para Ducados.

A generalidade dos personagens a quem o Almirante manda entregar as quantias, mesmo sendo genoveses, está referenciada a Lisboa. Sabe-se que Génova detinha na época uma forte presença comercial e financeira na península ibérica.

Um dos destinatários em Lisboa está inclusivamente referenciado cronologicamente a 1482.

Tudo parece apontar, portanto, para situações ocorridas em Lisboa/Portugal antes da ida para Castela. A data de 1482 aponta para o período em que o Almirante navegava para a Mina e Guiné, nos navios portugueses.

Curiosamente, no chamado Documento Assereto, independentemente da questão da sua fiabilidade, que se refere a um litígio comercial entre personagens genoveses, as quantias são mencionadas assim: xxx Ducados ou xxx Cruzados (sempre em simultâneo - e com o mesmo valor). Para o negócio de compra de açúcar que deveria decorrer na Madeira, as quantias são mencionadas em reais portugueses e explicitada a conversão para Ducados / Cruzados.

O Cruzado seria uma moeda usada na República de Génova nessa altura (1478).

O que é certo, pelas actas publicadas na Raccolta, é que a Lira era uma moeda  corrente em Génova, pois todas as quantias mencionadas em actos de dívidas ou outros negócios, são expressas em Liras.

Se as quantias do Memorial correspondessem a dívidas contraídas por Cristoforo Colombo em Génova, os valores estariam expressos em Liras (e não em Ducados ou Reais portugueses); ou eventualmente expressos em Liras com indicação do valor equivalente em Ducados.

Há no entanto um aspecto a destacar, referente à razão pela qual o Almirante não queria que se soubesse quem mandava dar essas quantias.

Se eram dívidas que Cristoforo Colombo não tinha pago, como foi larga opinião dos genovistas, não se encontraria motivo para que tal acontecesse. Poderiam mesmo ter sido pagas em vida do Almirante, mas assim não aconteceu e ficaram postergadas para o testamento. Que seu filho D. Diogo Colon não cumpriu, inscrevendo-as também no seu testamento de 1509, de forma muito vaga, e depois no seu testamento final de 1523.

Haveria uma razão para protelar por mais de quarenta anos a satisfação de umas dívidas, porque quem tinha contraído essas dívidas não era Cristoforo Colombo! Era o navegador X, que não se chamava Colombo. 

E o Almirante quereria continuar a manter a sua verdadeira identidade em segredo, tal como fez o filho Diogo! (o que terminaria se mandassem pagar as dívidas do navegador X).