quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Colombo genovês, o tio errado #12 ('Prova' 24)

 'Prova' {24} - pág. 148:

Inversamente, cabe perguntar: se Colombo não era genovês, que andava ele a fazer em Xio? infringindo o estanco da almécega?

ACC:

Como o autor afirma na pág. 147:

“nenhum documento conhecido refere nominalmente a presença de Colombo em qualquer das duas expedições de 1474-75 sendo possível que haja navegado para Xío (Chios) na expedição comercial que zarpou de Savona (onde os Colombos residiam desde c. 1470) a 25 de Maio de 1474 … mas o seu nome não consta do rol da tripulação nem de uma nem de outra (embarcação), onde pode contudo ter embarcado como passageiro, mercador, agente comercial ou mesmo barbeiro e não como marinheiro. Outra hipótese é ter partido na expedição imediata, que largou de Génova em Setembro seguinte, transportando reforços para a ilha, ameaçada pelos Otomanos.”

Coitado do Colombo, qualquer profissão lhe pode ser colada para justificar a sua ‘clandestinidade’ nos registos onde era suposto figurar.

Na verdade o Almirante menciona que viu árvores de almécega na ilha de Xío, mas quer a frase em que se insere essa afirmação, quer todo o parágrafo, permitem admitir que se tratou apenas de uma bazófia para que os Reis considerassem que ele descobrira terras muito valiosas para a Coroa. Invoca Plínio para a descrição das árvores e dos seus frutos antes de dizer que as viu em Xío, e seguidamente valoriza também a existência de algodão nas novas terras descobertas:

“… y en este río de Mares, de donde partí esta noche, sin duda hay grandísima cantidad de almáciga y mayor si mayor se quisiere hacer, porque los mismos árboles plantándolos prenden de ligero y hay muchos y muy grandes y tienen la hoja como lentisco y el fruto, salvo que es mayor, así los árboles como la hoja, como dice Plinio, y yo he visto en la isla de Xío, en el Archipiélago,…”

“… Y también aquí se habría grande suma de algodón y creo que se vendería muy bien acá sin le llevar a España, salvo a las grandes ciudades del Gran Can que se des cubrirán sin duda y otras muchas de otros señores que habrán en dicha servir a Vuestras Altezas, y adonde se les darán de otras cosas de España y de las tierras de Oriente, pues éstas son a nos en Poniente….”

 Também não é de excluir a hipótese de o Almirante ter estado efectivamente em Xío, na sua actividade como corsário, que se regista desde o início dessa década, ou mesmo no comércio de açúcar da Madeira numa fase da sua vida, pois Xio era um entreposto que recebia açúcar da Madeira.

Deve ainda ter-se em linha de conta que a sua correspondência com Toscanelli aponta para a sua presença em Portugal já antes das expedições a Xío mencionadas pelo autor.

Seguindo a mesma linha de raciocínio queo Prof. Thomaz, poderia então perguntar-se, se o Almirante não era português o que estava ele a fazer com D. João II quando este recebeu os importantíssimos relatos de Mestre José em 1485 ou de Bartolomeu Dias em 1488? A infringir os segredos estratégicos da Coroa Portuguesa?

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