'Prova' {11} - pág.
85:
Escrevendo c. 1535 Gonzalo Fernández de Oviedo
equaciona bem o problema:
fué natural
de la província de Liguria, que es en Italia, en la cual cae la cibdad e
señoria de Génova; unos dicen que de Saona, e otros de un pequeno lugar o
villaje, dicho Nervi ... y por más cierto se tiene que fué natural de un lugar
dicho Cugurei {11}
A menção a tantas hipotéticas localidades
(Nervi, Cugureo, Bugiasco, Génova, Savona, Piacenza, Milão e outras) para
naturalidade do Almirante reforça que se tratava de um boato e não de uma
certeza factual, como apontámos em resposta à ‘prova’ {6}.
Localidade onde houvesse Colombos tornava-se quase automaticamente candidata a ser o berço do Colombo tecelão.
'Provas' {12} e {13}
- pág. 86:
Os dois únicos cronistas portugueses que conheceram
pessoalmente o descobridor, Rui de Pina {12} e Garcia de Resende {13}, dizem-no
simplesmente "italiano"…
Para contrariar os argumentos de que os cronistas se
limitaram a copiar uns aos outros, o Prof.
Thomaz invoca que a
primeira crónica do Novo Mundo a circular impressa foram as décadas De Orbe Novo de Pedro Mártir de
Angléria, em latim, publicadas em 1511, seguindo-se a crónica de Gonzalo
Fernández de Oviedo em Sevilha, 1535.
Afirma que Garcia de Resende copiou Rui de Pina mas
que nenhum dos dois cronistas portugueses dá mostras de ter conhecido Angléria
e muito menos Oviedo, porque Pina faleceu antes da publicação de Oviedo e
Resende logo depois. Naturalmente que o autor se refere a terem conhecido as
obras e não os respectivos autores. O Prof.
Thomaz não afirma
que Rui de Pina não teve conhecimento das décadas de Angléria, mas apenas que
não dá mostras de ter conhecido, o que não é bem a mesma coisa. No entanto, o Prof. Thomaz afirma deixar de lado a brochura da carta a Santángel,
de que falará mais tarde segundo diz. A seu tempo veremos como o fará, mas
desde já destacamos que é à difusão dessa brochura que muito se deve a
propagação do boato.
Aliás, o Prof.
Thomaz não
especifica em que condições teriam os dois cronistas portugueses conhecido o
Almirante, e que apenas se referiram ao episódio da sua vinda a Lisboa em 1493
e ao seu encontro com D. João II. Nada escreveram sobre o seu passado, que
segundo outros teria envolvido a proposta do projecto de navegação para
Ocidente ao Rei português, nem sobre o seu casamento em Portugal, nem sequer
sobre a visita do Almirante à Rainha no Convento de Santo António da
Castanheira, a pedido desta, após o encontro do navegador com D. João II.
Limitou-se Rui de Pina, portanto, a mencionar um acontecimento, no qual não há
indicação de que tenha estado presente, tendo descoberto que o protagonista era
italiano, embora falasse em castelhano/português. O relato de Rui de Pina, que
se sabe ter sido preparado uns anos depois, acaba por demonstrar que não
assistiu aos acontecimentos, pois menciona que o Almirante arribou ao Restelo
no dia 6 de Março, quando tal aconteceu no dia 4 e que vinha do descobrimento
das ilhas de Cipango e d’Antília, descrição esta que remete para os autores clássicos e para a carta de
Toscanelli a Fernão Martins em 1474, a que Colon teve acesso e não ao que o
Almirante afirmava no seu regresso em 1493.
De qualquer forma há sempre que ter em conta as hipóteses de ligações do Almirante Colon com a vasta colónia de comerciantes e financeiros florentinos e genoveses em Lisboa ou na Madeira, onde Colon também viveu, sem esquecer que casou com Filipa Moniz Perestrelo, descendente de uma família de origens 'italianas'
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